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Culto pela Magreza # Preconceito contra a Obesidade # Seja saudavel!

por Diário de uma Magra by Dinora Bastos, em 20.05.14

 

“O mais belo, precioso e resplandecente de todos os objetos de consumo é o CORPO. A sua redescorbeta, após uma era milenária de puritanismo, sob o signo da libertação física e sexual, a sua onipresença (em especial o corpo feminino) na publicidade, na moda e na cultura das massas – o culto higiênico, dietético e terapêutico com que se rodeia, a obsessão pela juventude, elegância, virilidade/feminilidade, cuidados, regimes, práticas sacrificiais que com ele se conectam, o mito do prazer que o circunda – tudo testemunha que o corpo se tornou objeto de salvação. Substitui literalmente a alma, nesta função moral e ideológica.

 

O corpo se transformou em mais um objeto de consumo, em mais um simulacro, pois passou a não ser uma imagem autêntica, simulacros de valor, beleza e realização.

Entender a transição e o papel do corpo na atualidade é muito complicado, sendo objeto de estudo da psiquiatria, antropologia, sociologia, educação física e da nutrição, levando discussões profundas e complexas .O que é beleza? Quais atributos ditam o belo? Qual é o papel da cultura, política, economia nesta definição? Em que momento se nomeou o magro de belo?

 

A indústria cultural pelos meios de comunicação encarrega-se de criar desejos e reforçar imagens padronizando corpos. Olhares voltam-se ao mesmo na contemporaneidade sendo moldado por atividades físicas, cirurgias plásticas e tecnologias estéticas.

 

As pessoas aprendem a avaliar seus corpos através da interação com o ambiente, assim sua auto-imagem é desenvolvida e reavaliada continuamente durante a vida inteira, mas as necessidades de ordem social ofuscam as necessidades individuais. A imagem que a pessoa tem ou cria em seu corpo passa a ser muito mais real que o próprio corpo em si.. Somos pressionados em numerosas circunstâncias a concretizar, em nosso corpo, o corpo ideal de nossa cultura.

 

O corpo pode ser associado hoje à idéia de consumo. Em muitos momentos este corpo é objeto de valorização exagerada dando oportunidade de crescimento no “mercado do músculo” e ao consumo de bens e serviços destinado à “manutenção deste corpo”.

Contemporaneamente a idéia de que para se ter sucesso, felicidade ou dinheiro, o único caminho é através da beleza estética. Corpo esculpido, músculos bem torneados, mais do que um índice de boa saúde, é também o resultado de uma cadeia de interesses. Por trás de cada fibra enrijecida estão milhões de dólares gastos em novos tipos de aparelhos de ginástica, programas de condicionamento físico e anabolizantes.

Quanto mais perto o corpo estiver da juventude, beleza, boa forma, mais alto é seu valor de troca. A imagem veiculada pela media usa corpos de homens e mulheres esculturais para vender através de anúncios publicitários. “Músculos perfeitos” impulsionando seres perfeitos a vender produtos perfeitos. O músculo hoje é um modo de vida. Os meios de comunicação contribuem e incentivam a batalha pelo “belo”.

Isto faz com que as pessoas, principalmente adolescentes, tornem-se escravas de um ideal, ressaltando o narcisismo e impondo para si mesmas uma disciplina extremamente severa, por vezes dolorosa.

 

Na opinião de Courtine (1995), com a ascensão da cultura física, muitas indústrias passaram a produzir desde aparelhos de musculação, até diversos produtos cosméticos, estimulando um consumo exacerbado para manter-se dentro das normas e padrões de beleza que passaram a ser pregados. Gastos compulsivos, alimentação de baixa caloria, cuidados com a pele, vestuário, enfim, tudo para valorizar o corpo e com um forte apelo ao consumismo. O autor continua dizendo que o desejo de obter uma tensão máxima da pele, tendo amor ao liso, ao esbelto, ao jovem, induz os indivíduos a não aceitarem sua própria imagem, querendo modificá-la, conforme os padrões exigidos.

 

Nas sociedades ocidentais contemporâneas, o preconceito contra a obesidade é muito forte. O culto à magreza está diretamente associado à imagem de poder, beleza e mobilidade social, gerando um quadro contraditório, “esquizofrenizante”, tendo em vista que, através da media escrita e televisiva, a indústria de alimentos vende gordura, com o apelo aos alimentos hipercalóricos, enquanto a sociedade cobra magreza.

A media tem sido essencial na constituição da identidade moderna e na produção de conceitos e comportamentos, educando, disciplinando, regulando corpos e constituindo sujeitos.

 

Na medida em que o corpo torna-se o portador visível da auto-identidade, estando cada vez mais integrado nas decisões individuais do estilo de vida, a reflexividade do corpo se acelera de um modo fundamental. Surgem assim novas demandas e ansiedades. As dietas não estão ligadas ao advento da “Ciência da Nutrição”, mas também ao fato de a responsabilidade pelo desenvolvimento e pela aparência do corpo está, agora, diretamente nas mãos do seu proprietário (“Eu sou aquilo que eu como”). O que o indivíduo come torna-se uma questão reflexivamente impregnada de seleção dietética. Nestas circunstâncias, o que se come é uma escolha de estilo de vida.

 

Os espaços sociais nos quais se exibiam os corpos eram isolados e privados, enquanto que hoje os corpos são exibidos na publicidade, nas praias e nas academias. O crescimento das idéias hedonistas participa fortemente dessas mudanças nas relações com o corpo. Seu seguimento se faz em pleno período de desenvolvimento de consumo, de espetáculo e de prazer. Para estar bem com o corpo, é preciso esculpi-lo, limpá-lo e embelezá-lo.

O conceito de beleza na verdade é virtual. Os indivíduos como seres sociais sentem-se pressionados a corresponder ao “padrão” de beleza de sua cultura – que é exaustivamente apontado pela media – caso contrário, sentem-se menos atraentes e inferiores. Algumas pessoas, nesse caminho, elegem o corpo como único representante de si mesmas e o controle de peso como forma de viver; não percebem o quão tirânica a beleza pode ser e, diante de um universo de possibilidades como ser humano, deixam de acreditar em si em nome de um modelo que será sempre inexistente. Essa tirania pode levar a quadros patológicos definidos: os transtornos alimentares.

 

Indivíduos que se encontram nessa categoria, em associação à procura pelo corpo ideal, procuram exaustivamente as dietas de emagrecimento.”

 

publicado às 08:31



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